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Rede Municipal de Ensino – Campo Bom RS

Conversas de Campo-Relato

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Sinais de fumaça, conexões sem fio

Em agosto de 2012, a nona edição da Bienal de Artes Visuais do Mercosul foi anunciada por sinais de fumaça vindos da Usina do Gasômetro – um dos espaços a abrigar as exposições que agora ocupam a cidade. Foi esta a primeira cena que me veio à cabeça ao acompanhar a Conversa de Campo Educação sem fio: o uso de tecnologias de informação na formação de uma comunidade.   http://9bienalmercosul.art.br/blog/sinais-de-fumaca-conexoes-sem-fio/

Grupo da Bienal do Mercosul em Campo Bom-Projeto Eco Web

Grupo da Bienal do Mercosul em Campo Bom-Projeto Eco Web

De interações rudimentares feito fumaça à comunicação sem fio, a conversa serviu para ampliar pensamentos sobre conexões entre natureza, tecnologia e arte. Ainda no ônibus que nos levou até a cidade de Campo Bom, um dialogo sobre encontros de gerações, trabalhos de escola, antigas gravações de rádio, tentativas fotográficas e ensaios de vídeo fez com que eu tentasse traçar uma linha que costurasse em um texto a conversa, a paisagem e as sensações.

Cada parada do trajeto pode ser uma conexão, um nó desta costura. Interações digitais neste texto que agora escrevo, a partir de conversas analógicas. Para cada amarra alinhavada, formulei uma pergunta que deixo aqui, sem que tenham necessariamente respostas. Acompanhem comigo o percurso.

Contaminações: O Rio dos Sinos como metáfora

Campo Bom é recortada por um rio que nasce límpido entre os morros do município de Caraá, percorre cerca de 190 km e deságua imundo no delta do Jacuí, em Canoas. Além da contaminação em seu destino, a sinuosidade do rio é uma marca. Em uma destas curvas, está a escola onde as crianças de Campo Bom estudam. Ali, aprendem sobre os peixes e aves que habitam o rio. Viola, dourado, pintado e peixe lápis dividem território com tatus e pássaros martim pescador. Longe dos centros urbanos que despejam diariamente grandes quantidades de resíduos domésticos e industriais nas águas do Rio dos Sinos, há vida. As crianças se interessam por ela.

Assim, poderia a natureza contida no Rio dos Sinos contaminar as cidades ao seu redor e não o contrário?

Tecnologia aplicada, engenho e arte

As mesmas crianças jogam nas margens do rio pequenas bolinhas de argila que guardam sementes de árvores nativas. Chamam a astuta tecnologia de bolinhas verdes. Pesquisam e plantam flores comestíveis, cuidam de peixes em um aquário que repete as curvas do rio, criam interações entre natureza, cultura, arte e tecnologia e compartilham tudo na internet. Ou na nuvem, como queiram. A Nuvem que, na Bienal, reúne justamente exposições, projeto pedagógico, projeto editorial e comunicação.

Quando da Conversa de Campo, em Campo Bom chovia e fazia frio, clima nada favorável que criou uma dança colorida de guarda-chuvas para conhecer o Rio dos Sinos e espalhar sementes que ali vão germinar. A Nuvem precipita isso. Os fenômenos naturais que impulsionam viagens, migrações e desenvolvimento tecnológico. É a partir da interação entre engenho e arte que as crianças de uma cidade podem respondem a primeira pergunta acima.
Serão as crianças de uma pequena escola que recontaminarão o rio de sua cidade?

Precipitações: a nuvem e o clima

Enquanto isso, jovens incubam outras formas de comunicação. Também na internet (ou na nuvem, como queiram), distribuem vídeos, entrevistas, pequenas reportagens, todas produzidas na escola. A nuvem é também onde está tudo que não está no espaço físico, o que guardamos no espaço etéreo da internet. O que não está e não existe offline, está na nuvem. Carregada de referências, a Nuvem reúne pequenas idéias, costuras, precipitações.

A memória das crianças será semente que germina ou nuvem?

Veja os links que acompanham o presente relato:
http://cbbwebtv.wordpress.com/2013/10/04/conversas-de-campo-da-bienal-em-campo-bom/
http://novo.campobom.rs.gov.br/noticia-3178/projetos-tecnolgicos-de-campo-bom-sao-exemplos-para-participantes-da-bienal-do-mercosul
https://projetoecoweb.wordpress.com/2013/10/04/conversas-de-campo-2892013/

Um post-scriptum importante: Este texto, assim como todo percurso da Conversa de Campo, foi realizado junto ao Sebastião, meu filho de sete meses. Depois de nove meses de cordão umbilical, estamos exatamente agora vivendo nossa conexão sem fio.

Por Clarissa Pont

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